A mosca-do-chifre, sua importância e controle

Com a chegada do período chuvoso, ocorre o aumento das populações de insetos que causam prejuízos em diversas áreas da produção animal como por exemplo a mosca-do-chifre que parasita rebanhos de bovinos e bubalinos em nosso país.
Essa mosca é um inseto hematófago (que se alimenta de sangue) e sua ocorrência tem sido relatada em todo território nacional, sendo que a espécie mais importante é a Haematobia irritans.
Os adultos são:



  • Pequenos, medindo até 4,0 mm de comprimento;
  • Com coloração cinza e listras escuras e longitudinais no tórax;
  • Tem aparelho bucal picador-sugador;
  • E apresenta o hábito de permanecer sempre de cabeça para baixo no hospedeiro.

São insetos que se encontram sempre associados ao hospedeiro. Elas picam de 20 a 40 vezes por dia para se saciarem. Após o repasto (alimentação), as fêmeas deixam o hospedeiro para depositar seus ovos (total entre 300 e 400 ovos) em fezes frescas e retornam ao hospedeiro. Os machos, por sua vez abandonam o animal unicamente para mudar de hospedeiro.
A incubação é de aproximadamente 24 horas e após a eclosão, inicia-se a fase de larva, seguidas pela de pupa e adulta. Esta última pode durar de três e sete semanas (Figura 1).

Figura 1. Ciclo biológico de Haematobia irritans (mosca-dos-chifres) (Ilustração: Daniela R. Krambeck. Adaptação: Evaldo M. Pires).

Importância
Grandes infestações resultam em problemas como:

  • Animais irritados (devido às picadas doloridas);
  • Animais anêmicos (principalmente os jovens);
  • Perda do apetite, de carências nutricionais o que pode resultar em queda no desempenho produtivo;
  • Alteração comportamental (balançarem insistentemente a cauda e a cabeça para afastas as moscas);
  • Aparecimento de feridas cutâneas produzidas pelo repasto sanguíneo e aumentadas por outras moscas como as causadoras de miíases (bicheiras) e bernes.

Controle do parasita
Devido aos longos períodos em que H. irritans permanece sobre o hospedeiro, seu controle é mais fácil quando comparado ao de outros parasitos. Na tentativa de atrasar o processo de resistência aos antiparasitários, recomenda-se que a intervenção química seja feita quando o nível de infestação alcançar em torno de 200 moscas por animal adulto.
Pode ser empregado compostos inseticidas específicos através da pulverização, do uso de brincos impregnados de inseticida e outras técnicas. Uma informação importante a respeito da intervenção química, seja por qualquer rota adotada, é que se tenha conhecimento do período de retirada e que sempre seja respeitada a dosagem prescrita pelo profissional competente, de forma a evitar intoxicação e não favorecer os mecanismos de resistência aos antiparasitários.
O combate à mosca-do-chifre deve ser feito em conjunto, porque de nada adiantará o combate em uma determinada propriedade se os proprietários vizinhos não o fizerem.
Existe uma técnica de controle biológico para mosca-do-chifre que apresenta bons resultados. Trata-se do uso do besouro rola-bosta. Esses insetos agem desmanchando o bolo de esterco verde e levando-o para camadas profundas no solo, não permitindo a proliferação das primeiras fases do ciclo das moscas.

Literatura consultada
Pires, E.M.; Martins, L.R.; Campos, A.K. 2015. Parasitologia Aplicada aos Animais de Produção – OS ARTRÓPODES. 1a ed. Sinop MT: Evaldo Martins Pires. 312p.

Aos interessados
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