CONTROLE DE FORMIGAS CORTADEIRAS

O Brasil tem uma das maiores áreas utilizadas nos sistemas agrícolas e silviculturais, com grande diversidade de organismos considerados pragas. Dentre os insetos, as formigas cortadeiras são responsáveis por grandes perdas econômicas em diversas culturas. Conhecidas popularmente como “cabeçudas”, “carregadeiras”, “saúvas” e “quenquéns”, ocorrem em todo o país. Os gêneros Atta (saúva) e Acromyrmex (quenquéns) são os principais grupos de formiga cortadeiras que ocorre no Brasil (Figura 1).

Figura 1. Formigas cortadeiras Atta (saúva) e Acromyrmex (quenquéns). (Fonte: Evaldo Martins Pires no livro Formigas cortadeiras no Mato Grosso: orientações técnicas para controle).

Formigueiro
O formigueiro e composto: panelas de Fungo (câmaras que contem a cultura ou jardins de fungo), panelas de Lixo (câmaras destinadas ao depósito de resíduos de vegetal, fungo e cadáveres de formigas), panelas vazias (câmaras vazias à espera de lixo ou de fungo), panelas de terra (câmaras que possuem terra solta em seu interior), olheiros (as aberturas externas dos ninhos), canais (túneis que interligam o formigueiro) e os carreiros (são as trilhas percorridas pelas formigas, para o forrageamento) (Figura 2).

Figura 2. (A) Esquema da arquitetura interna de ninho de saúva mostrando detalhes dos diferentes tipos de câmaras interligadas abaixo da superfície do solo. (B) Escavação de formigueiro de Atta para exposição de câmaras e túneis utilizando cimento para manter a estrutura original da colônia. (Imagens: A – Terezinha Maria C. Della Lucia; B – Luiz Carlos Forti publicadas no livro Formigas cortadeiras no Mato Grosso: orientações técnicas para controle).

Combate às formigas cortadeiras
As formigas cortadeiras são grandes ameaças a diversas culturas agrícolas e aos plantios florestais durante todo o ciclo da cultura.
As ações de controle de formigas antecedem todas as fases da cultura e se entendem por todo o ciclo e, basicamente, são divididas em etapas:
Combate inicial – deve ser realizado no local de plantio, preferencialmente, antes da limpeza da área estendendo-se a um raio aproximado de 100 metros em sua volta. Se essa operação for feita após a limpeza, não revolver o solo e aguardar em torno de 60 dias para iniciar o combate.
Repasse – deve ocorrer em torno de 60 dias após o combate inicial para eliminar formigueiros não combatidos inicialmente na área de plantio e estender-se numa faixa de 100 metros ao redor.
Ronda – é uma operação periódica de monitoramento por todo o ciclo da cultura para evitar proliferação de formigueiros.

Métodos químico de controle – este é o método de controle considerado de maior efetividade. Nesse são utilizadas iscas granuladas, líquidos termonebulizáveis e pós secos.
Os pós secos são recomendados para épocas secas e em formigueiros pequenos (até 1 m2 de área de terra solta) (Figura 3 A e B).

Figura 3. Aplicação de produtos na formulação em pó seco através de bomba tamanduá. (Fonte: Evaldo Martins Pires no livro Formigas cortadeiras no Mato Grosso: orientações técnicas para controle).

A termunebulização utiliza formicida líquido veiculado em forma de partículas nebulígenas através de equipamento específico (termonebulizador) (Figura 4 A, B, C e D).

Figura 4. (A a D) Aplicação de formicida através da termonebulização. (Fonte: Evaldo Martins Pires no livro Formigas cortadeiras no Mato Grosso: orientações técnicas para controle).

A isca granulada é uma boa opção, pois independe do tamanho do empreendimento. Apresenta boa eficiência de controle, fácil aplicabilidade e aquisição do produto
Alguns cuidados devem ser tomados na aplicação de iscas: não utilizar em dias chuvosos; evitar a aplicação na parte da manhã quando, ainda, tem orvalho intenso; prevenir o acesso às iscas por animais domésticos. A isca deve ser colocada à distância de 10-15 cm dos olheiros de alimentação do formigueiro e ao longo dos carreiros. Evitar colocar a isca dentro dos olheiros e na região de terra solta. Para proteger a isca contra a umidade, podem-se usar anteparos como casca de madeira, bambu, telhas etc. O uso de porta-isca, onde a mesma é acondicionada em sacos de polietileno é uma medida muito eficiente para proteger a isca contra fatores adversos à sua integridade. A dose de aplicação recomendada é de 10 g/m2 de área de terra solta do formigueiro. Para calcular a área de terra solta, deve-se medir o formigueiro em seu maior e menor comprimento e multiplicar uma medida pela outra (Figura 2). Por exemplo, um formigueiro com 3 metros de maior comprimento por 2 metros de menor comprimento tem área de terra solta de 6 m2. A quantidade de isca a ser aplicada será: 6 m2 x 10 g isca= 60 gramas de isca (Figura 5).

Figura 5. Esquema para fazer a medição do formigueiro e a distribuição da isca (Fonte: Evaldo Martins Pires no livro Formigas cortadeiras no Mato Grosso: orientações técnicas para controle).

Literatura consultada
Oliveira, M.A.; Gomes, C.F.F. ; Pires, E.M.; Araújo, M.S.; Santos, G.H.M. 2016. Formigas cortadeiras no Mato Grosso: Orientações e técnicas para o controle. 1a ed. Cuiabá, MT: Fundação Uniselva – MT Ciência. 64p.

Aos interessados
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